APRESENTAÇÃO DO 1º ACERVO DE ARTES VISUAIS DO VALE DO SÃO FRANCISCO
Curadoria e Coordenação: Flora Assumpção
Agradecimentos especiais:
a todos os artistas doadores,
que acreditam e alimentam o sonho.
Este site apresenta um acervo em formação: o primeiro Acervo de Artes Visuais do Vale do São Francisco. Aqui temos parte da etapa de CATALOGAÇÃO E DIGITALIZAÇÃO.
O presente acervo foi cultivado na crença de que arte é formação humana —muito antes de ser mercadoria—, e consiste em ação de pesquisa e salvaguarda de cultura na área de Artes Visuais que o Grupo de Pesquisa Têmpera vem trabalhando para construir a fim de concretizar um museu público ou coleção visitável de Artes Visuais na região do Vale do São Francisco. Preferencialmente este pretende ser um acervo visitável universitário. Entendemos a importância deste equipamento cultural enquanto necessidade de institucionalização das Artes para promover crescimento da pesquisa de Artes na região, formar públicos para este campo do conhecimento e gerar empregos aos artistas, curadores, arte educadores, agentes da cultura e população em geral, bem como desenvolvimento social, mitigando desigualdades causadas pela ausência de investimentos suficientes dos poderes públicos em algumas localidades. Na UNIVASF (Universidade Federal do Vale do São Francisco), como em muitas outras universidades, principalmente as do interior (as chamadas novas e supernovas), a situação não é diferente: não temos orçamento (!) para a institucionalização das Artes; sequer temos uma pró-reitoria de Artes e Cultura nestes mais de 20 anos de universidade, e isso ainda não é percebido, por muitos alheios ao circuito artístico, como uma falta pela qual devemos agir.
O 1º Acervo de Artes Visuais do Vale do São Francisco é de caráter formativo e informativo sobre Artes e a importância da institucionalização das Artes e da Cultura em todo e qualquer município.
Em seu caráter formativo no campo das Artes, trazemos (tanto para artistas e estudantes quanto para o público leigo) uma variedade de obras de arte, apresentando, por vezes, qualidades visuais e técnicas nunca vistas na região, com artistas premiados de Bienais nacionais e internacionais. O valor de formação que isso proporciona é imensurável. Estamos aqui dando os primeiros passos na urgência que é catalogar, digitalizar e expor este acervo de Artes Visuais, mas esta é apenas uma etapa desta luta, pois no campo da visualidade não há registros e reproduções que se equiparem em relação à riqueza da experiência visual suscitada diante da obra presencialmente.
A disponibilização ao público de um acervo variado, com obras de mais de 40 artistas (daqui e de várias regiões do Brasil), possibilitará perceber como a produção da região participa de um diálogo cultural e artístico em nível nacional e internacional, gerando um sentimento de autovalorização. Sentimento este, que falta hoje aos discentes de Artes Visuais, justamente o curso da UNIVASF que foi o mais bem avaliado no ranking do Guia da Folha de São Paulo de 2023, época em que já estávamos com este projeto em andamento. Enquanto professora deste curso, já ouvi diversas afirmações no sentido de que esta formação é meramente recreativa e de passagem, pois as cidades da região não possibilitam mercado de trabalho no campo das Artes Visuais. Quem conhece um museu —de fato, como os que existem nas grandes capitais no Brasil e mundo afora, muitos deles vinculados a universidades— sabe o ambiente potente de formação humana contínua, pesquisa e trabalho que este tipo de equipamento cultural institucionalizado propicia. Paralelamente, este sentimento de desesperança com a falta de perspectivas não existe nesta intensidade e proporção entre do discentes e egressos universitários desta região nas áreas de Medicina, Enfermagem, Farmácia, Psicologia, Ciências Biológicas, Medicina Veterinária, Zootecnia e Engenharias. Seria talvez porque na UNIVASF temos equipamentos culturais e científicos institucionalizados pelo poder público em todas estas áreas, nos quais estes últimos discentes e egressos podem estagiar, pesquisar e trabalhar remuneradamente e profissionalmente durante e após suas graduações? Seria por que as decisões sobre a institucionalização dos equipamentos destas áreas do conhecimento na UNIVASF são tomadas por servidores destas respectivas áreas científicas ou afins, ao passo que as Artes nunca tiveram poder de decisão nesta universidade?… Os dados comprovam tanto que os museus geridos por universidades são os mais visitados do país e os que mais atuam na educação não formal, quanto comprovam que a arte institucionalizada transforma economicamente e socialmente os municípios e regiões em que se consolida e que o mercado financeiro de artes cresce em números muito significativos no Brasil e mundo afora, inclusive fomentando o turismo; mas por aqui ainda não se tem noção deste filão socio-financeiro. Portanto: seguimos na busca por uma sede definitiva e trabalhando por parcerias. Este site, assim como as exposições temporárias do acervo atuam como um pleito à gestão universitária (e até às municipais e estaduais) para acolherem este projeto.
Entre as diversas técnicas e linguagens artísticas deste acervo temos: desenho a grafite e a carvão, gravura em metal, fotogravura, xilogravura, litogravura, gravura gyotaku, gravura a laser, serigrafia, monotipia, cianotipia e fotograma, fotografia analógica e digital, escultura em madeira e cerâmica, objetos de materiais e técnicas diversos, fotoperformance, pintura a óleo, guache, aquarela, nanquim, bordados, backlights, instalações sonoras etc., e toda a variedade de materialidades em que estas técnicas se apresentam.
Entre os artistas que integram o acervo temos, dentre outros, os seguintes nomes (nem todos já inseridos nesta plataforma): Marco Buti (ITÁLIA/SP), Claudio Mubarac (Rio Claro/SP), Thereza Salazar (MG/SP), Eduardo Verderame (CE/SP), Cleiri Cardoso (PR/SP), Regina Silveira (RS/SP), Ana Calzavara (SP), Bete Gouveia (PE), Anabel Antinori (SP), Ricardo Ribenboim (SP), Elisa Arruda (PA/SP), Alline, Nakamura (Atibaia-SP), Havane Melo (BSB/BA), Bruno Vilela (PE), Angella Conte (Jaboticabal/SP), Claudio Caropreso (São José dos Campos/SP), Paulo Penna (SP), Sandra Lapage (Alemanha/SP), Leya Mira Brander (SP), Martinho Patrício (PB), Alice Vinagre (PB), Aurora Caballero (PB), Luciano Pinheiro (Olinda/PE), Paulo Guinho (Salvador/BA), José de Rocha (BA), Viga Gordilho (BA), Flora Assumpção (MG/PE/BA), Louise Gusmão (RN/PB), Marcela Dias (PE), Renato Valle (PE), Elizabeth de Carvalho (GO/PE/CE), Carina Lacerda (PE), Fredson Adjar (PE), Andrea Sobreira (Crato/CE), Marina Soares (Gravatá/PE), Eduardo Romero (PE), Patriny Aragão (PE), Daniel Caballero (SP), Diego Castro (SP), Lilian Maus (Porto Alegre/RS), Letícia Rita (SP), Luciana Bertarelli (SP), Raphael Giannini (SP), Taís Cabral (SP), Flávio Lamenha (Rec/Pnz/PE), Marcelo Silveira (Gravatá/Recife/PE), Marcelo Schellini (SP/Indonésia), Daniel Freire (Itacuruba/PE), Sotera Sanches e Mariano Neto (MS), Ohira e Bonilha (SP/BA) etc.
O Grupo de Pesquisa Têmpera, os artistas doadores e membros dos Colegiado de Artes Visuais da UNIVASF são parceiros neste projeto, seguindo na contracorrente e na crença de que a institucionalização da Arte e da Cultura se configura enquanto criação de políticas públicas permanentes de desenvolvimento, acesso e democratização destas áreas de conhecimento para os agentes da Cultura e das Artes e para a população em geral. São as sementes que estamos plantando, para a coletividade, para a formação humana, para a história. Que seu gérmen vital possa ser mais forte e resiliente do que o retrocesso.