MARCELO SILVEIRA

A prática de Marcelo Silveira (n. 1962, Gravatá, Brasil) parece questionar categorias pré-estabelecidas, ao desafiar e tensionar definições aparentemente consolidadas de escultura, instalação e colecionismo. Sua produção move-se a partir do interesse pela materialidade. Tudo pode ser objeto de trabalho: madeira, couro, papel, metal, plástico e vidro são apenas alguns dos elementos explorados. Contudo, também é fundamental a configuração por eles assumida, que pode ser criada a partir do repertório formal comum àqueles objetos – garrafas e copos de vidro, por exemplo – ou pela recriação de formas familiares e comuns em matérias inesperadas – como Silveira faz com a madeira, por exemplo.

 

O colecionismo, de fato, constitui estratégia privilegiada do artista, ao lado do constante jogo entre apropriação e produção. Essas operações aparecem em seu trabalho de diversos modos, seja pelo acúmulo  de artefatos encontrados no mundo – como cartões postais, réguas dedesenho, vidros de perfume, etc. –,em objetos que remetem a utensílios domésticos, mas desprovidos de qualquer utilidade, ou até pela apresentação dos trabalhos sob a forma de conjuntos, em que cada fragmento se integra àquela totalidade, ressignficando-a. Nesse sentido, a organização é fundamental na prática de Silveira, não só como estratégia expositiva, mas também para conferir novo sentido a esses objetos, que possuem a potência de despertar memórias afetivas.

 

fonte : Galeria Nara Roesler

TUDO CERTO é uma obra sonora por Marcelo Silveira durante a Residência artística realizada em BELOJARDIM.
Neste disco estão gravadas as vozes dos participantes de uma performance promovida pelo artista, onde pessoas são convidadas a ler partituras com a frase TUDO CERTO, entoada de diferentes maneiras.

 

 

MARCELO SILVEIRA
Tudo Certo, 2017
Arte sonora em vinil
17,4 X 17,4 X 17,4 cm

LIVRO HOTEL SOLIDÃO. 35x24cm. 180 páginas. 2022.